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ESCADAS DO LICEU
Paulo Ferreira da Cunha
In Arcadia ambo
VergílioTábua
Apresentação - Gilda N. M. Barros
Anfiteatro do mundo
Arquétipo
Athena reclinada
Estela de Athena
Medeia
Ícone
Botticelli, em torno de Afrodite
Anagnorise
Câmbio
Ataraxia
Cronos
Aristóteles, da Poética
Argonautas
Adiaphoron
Kathodos
Eudaimonia
Autarkeia
Narciso
Eros
Theoria
Reminiscência
O anjo e o auriga
Hybris
Sísifo
Anti-Xerxes
Physis
Circe
Péricles, do ostracismo
Epicurismo
Afrodite a Ares
Triângulo sagrado
Topografia
Dédalo
Ruína
Necrópole
Antígona encarcerada
Antígona exilada
Édipo
Helena de Tróia
Platão, da sofística
Epoche
Ulisses
Do porto de Íthaca
Crepúsculo dos deuses
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Centro de Estudos Medievais –
Oriente & Ocidente
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Editora Mandruvá
APRESENTAÇÃO
O texto que se vai ler reúne um conjunto de poemas de Paulo Ferreira da Cunha, que se agrupam por unidades temáticas múltiplas, mas interligadas, de alguma forma, pelo espírito especulativo de seu autor.
Professor, filósofo, jurista, Paulo Ferreira da Cunha é um universitário, sobretudo; apto às grandes sínteses, às percepções decisivas e definitivas, ocupado de tudo porque se envolve com o mundo por inteiro; exerce o seu ofício de poeta com aisance, mas nunca desocupado de si mesmo, de suas dúvidas, de suas crenças e de seus sonhos.
Em todos os poemas a presença da Hélade - seus deuses, monumentos, valores e heróis - se manifesta, por vezes de maneira sutil, outras vezes de forma vigorosa, mas sempre evocativa, como um ponto de referência matricial de fundo.
Assim, é toda helênica a inspiração do poeta; visceralmente interativa, entre devaneios e correlações, entre lembranças e associações, movimenta-se sempre em direção aos gregos, seja para deles partir ou a eles retornar, nutrida da impudica avidez da beleza, mergulhando nas águas profundas da cultura que nos deu Píndaro e Safo.
Escadas do Liceu é um mosaico de fragmentos criticamente perceptivos, reunidos na forja de uma alma irreverente, inocentemente curiosa e lúdica; que voeja como um anjo alado, a brincar, entre significantes e significados, jogando com palavras, um jogo de contemplações e buscas.
Escadas do Liceu é todo um universo de ambiências e formas sugestivas, de pontos e contrapontos, que sugere sem dizer, que só revela porque insinua, que provoca quando interroga, que solicita quando oferece.
Mas se a poesia de Paulo busca o inefável, se é fiel ao apelo da forma e ao fascínio do exercício da palavra, a que sucumbe com arte, essa mesma poesia é capturada por um espírito inquieto e interrogativo, que disfarça mal o envolvimento com o espanto de que nasceu a filosofia. Assim o leitor de Paulo se depara com gratas surpresas e grandes temas, que nos elevam, do pequeno, ao grande, do episódico ao definitivo, do simples ao intangível.
Escadas do Liceu é encontro com os nossos limites - transitoriedade e finitude, busca e superação; é abertura para o recomeço, sinal para a fé, é fruição do e para o espírito. É todo o humano, entranhado na natureza e desvelado na cultura.
Não vamos trazer o leitor para mais perto da obra do poeta; seria ir além, seria hybris; agora, que cada um percorra por si mesmo esse caminho. Que esse exercício lúdico interativo lhe revitalize o espírito. E que desfrute, sobretudo! Para isso nascem os poemas...
São Paulo, 13 de janeiro de 2004.
Profa. Dra. Gilda Naécia Maciel de Barros
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo